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OUTUBRO

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LEITURA EM DESTAQUE - À Deriva - Em duas oportunidades recentes tivemos a missão de mostrarmos o momento do mercado brasileiro e suas perspectivas em eventos internacionais

Em duas oportunidades recentes tivemos a missão de mostrarmos o momento do mercado brasileiro e suas perspectivas em eventos internacionais, logo após a publicação da interessante e fundamentada matéria da revista The Economist, ilustrada pelo efeito figurativo do Cristo Redentor em voo descontrolado e embicado para baixo.
 
Ficou complicado comparar os dois momentos, separados por poucos anos, quando na primeira oportunidade o Cristo Redentor “decolava” e na mais atual era mostrado desgovernado e em rota de mergulho irreversível.

Mas foi exatamente a visão do desgovernado que proporcionou a reflexão de que as duas figuras não refletem dois momentos distintos, como poderia parecer e, de fato, como foi concebido. Mas refletem dois setores, o público e o privado, de um mesmo país, nos últimos anos.
 
Nada mais figurativamente correto do que a representação do Cristo decolando e deslanchando rumo a voos mais altos e relevantes para representar o que o setor privado tem feito no Brasil nos últimos anos.
 
Apesar dos inúmeros e quase insolúveis problemas criados por uma infraestrutura obsoleta, por uma “buropatologia” asfixiante e por uma incompetência estrutural para gerir a coisa pública, o setor privado brasileiro repensou estratégias, investiu em tecnologia e gente, tem pensado em termos globais e criou uma nova realidade que se alinha com o que de mais moderno e maduro se faz no mundo.
 
Ao criar conglomerados globais que impõem padrões de gestão que se tornam icônicos, ao se tornar líder global em alguns segmentos vitais, criar benchmarks em muitas áreas de negócios, ao ter essa excelência reconhecida e valorizada por prêmios globais em inovação e excelência, o setor privado brasileiro, para falar em termos figurativos, tem feito de noite o que o governo dificulta e impede durante o dia.
 
E o resultado é um país mais maduro, formal, competitivo, plural, aberto e cada vez mais global, pois praticamente nenhuma restrição existe que proteja segmentos da cada vez mais forte e irreversível concorrência global. Para o que tem de positivo e negativo.
 
No entanto, na outra figura, do Cristo desgovernado, o que temos é a melhor representação possível do setor público brasileiro, em especial o federal, que na sua estratégia, estrutura, organização, práticas e processos, se mostra sem rumo e sem direção, dificultando tudo quer que se queira pensar com vistas ao longo prazo.
 
Bem representado, encastelado no topo da montanha, se vê acima de tudo e de todos, com perspectivas próprias e objetivos que estão mais alinhados com a manutenção, ampliação e eternização do próprio poder, mesmo que para isso tenha que se desgarrar do interesse dos cidadãos e da Nação.
E que foi e está sendo contestado por todos ante sua incompetência em cuidar das suas missões fundamentais que envolvem educação, saúde e segurança, entre outras, apesar do crescimento da arrecadação de impostos, que supera por larga margem o crescimento econômico.
 
Aquilo que parecia difícil de ser explicado, a partir das duas ilustrações dos artigos da Economist, se tornou mais claro e, surpreendentemente, mais lógico, pois em muitos casos, em particular na França e nos Estados Unidos, muitos viram nessas imagens o retrato da própria realidade, mostrando que governos à deriva parece não ser um privilégio brasileiro.
 
Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

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