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NOVEMBRO

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A Metroll colaborou com a matéria: Antes de sair quebrando paredes numa reforma... por Kátia Simões - Revista NoVarejo #31

... o varejista precisa analisar o novo projeto, que deve contemplar o públicoalvo,a exposição do produto, a experiência na hora da compra e o caminho que o cliente fará dentro da loja, sem contar tempo para execução (menor possível) e retorno sobre investimento (maior possível)


São nada menos do que 26 lojas, de um total de 99, em reforma ao mesmo tempo, em várias cidades do Brasil. É com esse cenário que Claudio Bobrow, sócio-fundador da Puket, convive praticamente ao longo de todo o ano. “O desafio está em fazer a transformação no menor espaço de tempo possível, já que as lojas permanecem fechadas durante a reforma e, portanto, não faturam”, afirma o executivo. Instaladas 100% em shopping centers, as lojas da rede de franquias Puket fecham em média por 15 dias. Quando
reabrem, recebem um reforço no marketing e são alvos de ações de reinauguração por cerca de 13 dias. Essa foi a solução que a marca escolheu para manter o visual sempre em dia e não desiquilibrar o faturamento. “Há casos em que a receita dobra na quinzena pós-reforma, tamanho o impacto provocado pelo novo visual da loja e pelas ações de marketing”, declara Bobrow. A fim de incentivar seus franqueados a manter as lojas sempre up to date, a franqueadora premia com mobiliário a unidade com melhor desempenho, por exemplo, além de negociar com o shopping um desconto no aluguel enquanto as portas estiverem fechadas. Reformar completamente o ponto de venda em períodos cada vez mais curtos é hoje uma regra para o varejo, não mais uma opção. “O tempo de vida médio de um conceito de loja é
de cinco anos”, diz o arquiteto Júlio Takano. “A partir disto, começa-se a perceber queda nas vendas. Se o declínio alcançar a casa dos 20% é sinal de que o espaço não está cumprindo mais o seu papel”. É claro que ao longo desse período a unidade deve passar pelo que os profissionais costumam chamar de “maquiagem”, ou seja, pintura, troca do visual merchandising e de algum mobiliário, a fim de dar o máximo de longevidade ao conceito da loja. Na visão do arquiteto, é preciso pensar a reforma não apenas física, mas do negócio como um todo. É essencial pensar, primeiramente, quem é o seu público-alvo e a evolução de suas necessidades e exigências, para depois destacar o que é preciso melhorar no ponto de venda para que os clientes se sintam mais satisfeitos. “É necessário estruturar um plano estratégico de ações para encantar a clientela e desenvolver um conceito de loja que possa entregar todos os pilares que simbolizam a marca para o cliente e, dessa forma, estabelecer uma forte conexão emocional com ele por meio de experiências sensoriais, visuais, auditivas, olfativas e táteis”, diz Takano. 

 

Pensar além do custo...

 

Para a maioria das empresas, o preço da obra é geralmente o primeiro ou o segundo item na lista de importância. Resolver essa equação, contudo, exige contabilizar não só o dinheiro reservado em caixa, mas qual o objetivo do novo projeto. O preço por metro quadrado varia muito de região para região, do perfil da loja, dos materiais utilizados e da mão de obra. “Em shopping centers, por exemplo, o custo da mão de obra é cotado por horas extras, já que o trabalho ocorre noite adentro”, observa o arquiteto Maurício Queiroz. “Somando-se todos os fatores, os custos podem variar de R$ 4 mil a mais de R$ 27 mil por metro quadrado, dependendo da sofisticação.” Escolher o período ideal para a reforma, entretanto, é item fundamental para não prejudicar demais o desempenho do negócio. Fugir de datas comemorativas e do final do ano é regra básica para não perder vendas e contar com boa oferta de fornecedores. Sem falar que muitos shoppings proíbem esse tipo de operação a partir de novembro. Planejar é o segredo, a fim de que a loja esteja em plena atividade pelo menos 30 dias antes do principal pico de venda. “O quanto o ponto de venda ficará fechado ou funcionando parcialmente dependerá do porte do varejo e da localização”, observa Ricardo Moraes, CEO da Metroll, gerenciadora com 15 anos de mercado. “Lojas de até 200 metros quadrados devem ser repaginadas com as portas fechadas. Já em magazines, por exemplo, as obras costumam ser feitas por setores e podem levar meses”. Com uma carteira de 15 clientes, entre eles, Renner, Riachuelo, Walmart e Oi, a gerenciadora trabalha para acompanhar de perto a contratação dos fornecedores, damão de obra e buscar uma redução de custos e de prazos entre 10% e 30%, segundo Moraes. Quem decide a melhor data, contudo, é o próprio empreendedor, uma tarefa que se torna ainda mais espinhosa quando se opera em rede. “Na MegaMatte tomamos o cuidado de evitar fazer qualquer coisa nas lojas durante o verão e sugerimos sempre que os pontos, quando possível, sejam reformados apenas à noite”, afirma o diretor-executivo Júlio Monteiro. “É uma forma de minimizar os transtornos causados para os clientes e diminuir o impacto na queda do faturamento”. Com 103 lojas em operação,
a MegaMatte atende em média 25 mil pessoas por dia, 950 mil por mês – devem render à rede um faturamento de R$ 89 milhões este ano.

 

PRESERVANDO A HISTÓRIA....

 

Incrustrado no coração do centro de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, ao lado do Viaduto do Chá e em frente ao Teatro Municipal, o prédio do antigo Mappin ganhou um novo morador. A construção, inaugurada em 1939 e projetada pelo arquiteto Elizário Bahiana, abriga a maior das 570 filiais das Casas Bahia. Ao todo são 13 andares, seis deles abertos ao público, que foram totalmente restaurados pelo grupo Via Varejo e devolvidos aos paulistanos. “Reformamos oito elevadores, 14 escadas rolantes e mantivemos a arquitetura original do edifício”, declara Carlos Di Bella, gerente de engenharia da área de
expansão da Via Varejo, responsável pelas redes Casas Bahia e Ponto Frio. O edifício, considerado um dos mais expressivos da arquitetura art déco, é um dos oito prédios históricos que a rede restaurou e instalou suas lojas nas cidades: Maceió, Recife, Juazeiro, Cárceres, Corumbá, Itabará e Rio de Janeiro. “Não se trata de filantropia”, diz Di Bella. “Quando o ponto é bom procuramos cruzar as duas linhas – preservação arquitetônica e retorno do investimento. Se a conta fecha, partimos para a recuperação, o que permite um resgate histórico para toda a cidade.” O imóvel que abriga a primeira unidade das Casas
Bahia em Alagoas, por exemplo, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional. Para poder abrir as portas, a Via Varejo trabalhou para reconstruir o prédio da Rua do Comércio, preservando suas características originais, como portas de entrada, detalhes arquitetônicos e telhado. O piso ganhou uma paginação diferenciada, é todo de vidro, para que as pessoas visualizem os alicerces originais e confiram como era a distribuição das paredes na época da primeira construção. Já a unidade da Rua do Hospício, em Recife, abrigava um antigo hotel. A parte inferior virou loja e os quartos foram transformados em escritório, sem perder nenhum detalhe da construção do século 18. “É um dos nossos prédios mais antigos”, ressalta Di Bella. “O desafio foi encontrar carpinteiros especializados para reproduzir portas
e janelas, já que construções desse período primam por arcos grandes, muitos vãos e portas”. A loja de Belo Horizonte, do Ponto Frio, inaugurada em 1997, por sua vez, foi batizada de Cineshopping. É que por mais de 30 anos funcionou no local o Cine Art Palácio. A loja preservou seus 2.200 metros quadrados,
a decoração original do antigo cinema com a majestosa escadaria, dois projetores e até a telona, hoje ocupada pelo protagonista da rede, o Pinguim. De acordo com o engenheiro Di Bella, reformar pontos tombados pelo patrimônio histórico dá mais trabalho e custa mais caro do que outros tipos de imóveis. “Em certos casos, a reforma chega a custar 50% mais, com cifras que alcançam a casa do milhão”, afirma. “O tempo gasto também é maior, mas ao final todo mundo sai ganhando com o resgate e a
preservação de pedaços da história do País.”

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20.SETEMBRO

Linda Loja Renner entregue ontem em Gramado, RS